Capítulo 4 – A (maldita) festa
O que pareceu horas durou minutos. Acordei assustado e estressado, um som Techno explodia e ecoava por meu apartamento. Escondi meu rosto no travesseiro e lamentei, a festa realmente tinha vindo até mim.
Filho da puta, pensei, na minha cabeça o pensamento soou como um grito feroz que ficou se debatendo nas paredes do meu crânio. Eu não queria nada daquilo.
Arrastei-me para fora da cama e abri a porta do quarto. O som me atingiu e tive a impressão que estava sendo arremessado para trás.
Alguém veio ao meu encontro e falou uma língua que não entendi. Mas como a pessoa sorriu quando terminou a frase eu me senti obrigado a sorrir de volta e concordar.
- É.
Minha sala estava um caos, pessoas, comidas, copos, garrafas, guardanapos.
Meu cão estava escondido debaixo de uma das cadeiras com uma expressão depressiva, ele não gostava de tanto barulho também.
Dei um passo para trás e me “escondendo” no corredor. Foi inútil, óbvio. Estava lá distraído quando...
Um corpo se espremeu contra o meu, seu perfume caro me envolveu. Olhei para os olhos dela, eles estavam vermelhos como sempre.
Dora estava naquele meio desde que eu me lembre.
Ela pressionou-me ainda mais contra a parede e começou a fazer sugestões obscenas.
Perguntei-me quando tinha dito algum não a ela e constatei que nunca tinha recusado aquele corpinho. Minha cabeça latejou, é, sempre tem uma primeira vez para tudo.
Eu a afastei, Dora ficou chocada, por um segundo ficou paralisada e depois começou a gesticular exageradamente como sempre faz. Tinha um tom de frustração em sua voz:
- Eu sabia que não devia ter de dado exclusividade! Perdi meu tempo com você. Ela cuspiu as palavras.
Dei os ombros, não estava a fim de discutir. Saí para a sala visando a porta. Trombei com algumas pessoas que gritavam “parabéns” ou “festa boa”, mas passei batido.
Já estava com a mão na maçaneta quando Mário me chamou. Ele tentou parecer simpático e quase me convenceu. Apertou meu ombro e com um tom de conselho comentou:
- Não se preocupe com Dora. Era só uma questão de tempo ela voltar a dar pra tudo mundo.
Ele não sabia que eu estava é mais pouco me fodendo para Dora. Saí de casa, minha própria casa, batendo a porta e rumei até o boteco mais próximo.
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"Um corpo se espremeu contra o meu, seu perfume caro me envolveu"
ResponderExcluirera pra rimar ?
ficou interessante ...