Capítulo 3 – O taxista cretino
- Rua Paraná, prédio 150. - Ordenei ao motorista fechando os olhos.
- Claro, senhor. – O taxista comentou.
Sua voz era vagamente familiar, mas eu não quis me importar. O táxi começou a se deslocar pela rua.
O sacolejo e o cheiro de couro me deixavam embriagados de sono.
- Poderia perguntar por que está indo para casa, senhor? – O taxista perguntou.
Um pouco do meu bom senso pareceu despertar, eu não tinha falado em casa. De fato não havia falado muita coisa.
- Como? – Perguntei.
- Por que está indo para casa...? – O taxista insistiu, sua voz estava diferente e consegui reconhecê-la. – Quando tem uma comemoração a fazer.
Mário, constatei, um imbecil de marca maior, com quem eu ainda tinha um pouco de paciência. Acreditava que era um sentimento recíproco, eram poucas as pessoas com paciência comigo também.
Além de pseudo amigo, Mário era o meu pseudo chefe.
- Quero ir para casa... – Reclamei.
- Temos que festejar esse trabalho bem feito.
- Casa. – Gemi.
- Depois da festa.
- Agora.
Minha cabeça latejava violentamente, começava a ficar enjoado. O cheiro de couro, antes agradável, agora estava pesado, fétido impregnando o ar.
- Abre a janela, Mário. – Pedi sentindo a acidez do vômito subindo pela garganta.
Mário virou o rosto para trás:
- Está passando bem? – O cretino me perguntou com um sorriso amargo como a bile entalada no meu esôfago.
Tive vontade de vomitar em sua cara, mas segurei o impulso.
- Enxaqueca – Reclamei. – Preciso descansar um pouco. Prometo que depois encontro vocês.
- Pode deixar. Afinal, se você não vai até a festa, a festa vai até você.
Eu sorri por causa do comentário, mas no fundo temia que a festa realmente fosse até mim. Vindo de Mário, nada parecia uma inocente brincadeira.
Quando ele parou na minha rua tudo que eu conseguia pensar era minha cama.
Soldei a porta do táxi e Mário fez algum comentário sobre pagar os danos.
Nem sei como cheguei em casa, se peguei o elevador de serviço ou o social, não sei por que porta entrei.
Nem me lembro se passei pela sala ou pela cozinha. Hoje, a única coisa que posso afirmar sobre aqueles instantes é que quando me encontrei consciente já estava na cama.
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